Ana Ruas - Green Life
Ana Ruas transforma tapume em imenso origami
Ana Ruas nasceu para a arte urbana e a prova aparece, inclusive, em sua certidão de nascimento. Batizada Ana Luiza Ruas, a artista – nascida no Rio Grande do Sul, mas radicada em Campo Grande (MS) há 17 anos – já carrega no nome a paixão pelo trabalho que exerce pelas cidades.
Convidada para integrar o projeto Urban Gallery, da Brookfield Incorporações, e transformar em arte o tapume de 92 m² do empreendimento Green Life em Campo Grande - MS, Ana aproveitou o fato de o espaço estar localizado na descida de uma via expressa para criar uma ilusão de óptica para quem passa rapidamente por ali. “A observação do espectador é de, no máximo, 15 segundos. Por isso, meu painel traz elementos repetitivos para remeter a um imenso origami que vai se esticando ao longo do tapume”, explica.
Livre de amarras, Ana conta que não pensa em estilo nem em inspiracão para criar. Dedicada a conceitos, ela parte da observação e da pesquisa dos elementos visuais que possam dialogar com o entorno para gerar arte. “O diálogo começa pelo suporte e se define por elementos que falam de espaço e de sua localização. No caso deste tapume, por exemplo, levei em conta a posição do espectador e o tempo de leitura que ele faz da imagem”, explica.
O resultado gerado depois de quatro dias de trabalho você confere nas fotos da galeria. E, a seguir, uma entrevista exclusiva com Ana Ruas:
Como você começou a carreira de artista?
Ana Ruas - Comecei a trabalhar com intervenções urbanas aos 17 anos, sempre usando a pintura como linguagem, ora preenchendo grandes telas em séries, ora recobrindo com intervenções pictóricas nos espaços disponibilizados em centros culturais brasileiros e espaços públicos ou privados. Minha primeira intervenção em espaço público foi aos 20 anos, na Prefeitura de Lagoa Vermelha(RS). Em Campo Grande, tenho um total de 25 intervenções. Desde 2001, mantenho também o projeto “A Cor das Ruas”, uma oficina de arte que envolve adolescentes da periferia de Campo Grande.
Qual o seu estilo de arte?
Ana - Não defino meu trabalho em um estilo específico, embora tenha características bem marcantes de alguns recursos. Meu interesse é pela Arte Contemporânea e pelos seus conceitos. Acredito que a arte contemporânea em si, nos libera de todos os “ismos”.
Conte um pouco sobre a obra criada para este tapume…
Ana - O desenho representa uma dezena de dobras através do recurso da perspectiva. Quando a imagem começa, esta dobra é pequena e, a medida que o observador se aproxima do final do tapume, as dobras maiores se abrem. Essa ilusão parece ter sido criada pela velocidade do carro de quem transita no local e não pelo desenho. Além das dobras, uma linha horizontal vermelha “costura” todo o tapume para, no final, gerar um galho que balança o vento.
Qual foi a técnica e o material utilizados no painel?
Ana – Para que a linha vermelha operasse sobre as cores contrastantes- que atingem seu melhor momento na utilização das sombras -, o recurso utilizado foi o 'trompe l'oeil", que faz com que as sombras pareçam verdadeiras. Já o material utilizado foi tinta esmalte nas cores verde, azul e vermelha.
Qual é a sua opinião sobre o projeto Urban Gallery?
Ana - O projeto não só dá condições ao artista de concretizar efetivamente um trabalho como também dá total liberdade de criação, sem nenhum tipo de imposição do tema ou do estilo. É um grande incentivo ao artista que produz obras em espaços abertos!
E como você enxerga o papel da arte urbana nos dias de hoje?
Ana - A arte urbana convida o público a dialogar e questionar temas apenas com informações visuais. Encontrar uma obra de arte na rua passa a ser uma surpresa e não uma intenção. As pessoas não saem de casa procurando uma intervenção urbana, elas se deparam com ela. Impossível passar por um desenho de 120 metros ou por um viaduto com desenhos e não pensar no que viu, mesmo que por alguns instantes.